Como montar um consultório de saúde: passo a passo e custos
Do registro no conselho ao prontuário: o passo a passo para montar consultório próprio, sublocado ou online, e quanto costuma custar.
Por Hugo Vasconcelos
Atualizado em 1 de outubro de 2026 · 9 min de leitura
Fontes conferidas em 01/10/2026 · Como o manual é escrito
Abrir o consultório é uma decisão que junta vontade, medo e uma lista de tarefas que ninguém explicou. Este artigo organiza a lista, na ordem em que as decisões costumam se destravar, e mostra onde vale parar para perguntar a um contador ou ao seu conselho.
Uma nota antes de começar: as regras de alvará, de vigilância sanitária e de registro de empresa mudam de município para município e de conselho para conselho. Onde é assim, o artigo diz, e aponta para quem tem a resposta atual.
Sala própria, sala dividida ou online
A primeira escolha é o formato, porque ela define quase todos os custos. Os três caminhos mais comuns:
| Formato | O que é | Vantagem | Ponto de atenção |
|---|---|---|---|
| Sala própria | Você aluga ou compra um espaço só seu | Autonomia total sobre o ambiente e os horários | Maior custo fixo, que existe mesmo nos meses fracos |
| Sala dividida (sublocação) | Você usa uma sala por turnos ou por hora, de uma clínica ou de colegas | Custo menor e estrutura pronta | Menos controle do ambiente; combine horários e custos por escrito |
| Online | Você atende por vídeo | Custo fixo mínimo e alcance além da sua cidade | Exige sigilo, internet estável e o cumprimento da norma do seu conselho para atendimento a distância |
Não existe formato certo para todo mundo. Para quem está começando, a sala dividida ou o online costumam reduzir o risco, porque o custo fixo é baixo, e permitem descobrir a demanda antes de assumir um aluguel. Quando a agenda enche, a conta muda: vale simular o custo por hora de sala nos dois cenários.
Existe também o formato híbrido, que mistura os dois, com alguns dias presenciais e outros online.
Registro no conselho, documentos e prontuário
Esta é a parte que dá menos trabalho e que menos pode ser esquecida.
O registro no conselho. Para atender, o seu registro no conselho regional da profissão precisa estar ativo e a anuidade em dia. Os conselhos federais reúnem as informações: CFP para psicologia, COFFITO para fisioterapia e terapia ocupacional, CFM para medicina, CFN para nutrição e CFFa para fonoaudiologia. Se você for abrir uma empresa, confira também, no conselho regional, se ela precisa de registro ou cadastro próprio: a regra muda de conselho para conselho.
O CPF ou o CNPJ. Atender como pessoa física autônoma é permitido, e abrir uma empresa também. Como MEI não é opção para profissões de saúde regulamentadas, a escolha é entre CPF e uma empresa no Simples Nacional. O artigo CPF ou CNPJ para profissional de saúde mostra como fazer a conta.
O prontuário. O prontuário é o registro do atendimento de cada paciente, e a forma de guardá-lo tem regras. A Lei 13.787/2018 trata do prontuário eletrônico e fixa o prazo mínimo de 20 anos, contados do último registro, para a guarda do prontuário do paciente. Alguns conselhos têm norma própria para o registro documental, com prazos diferentes, e por isso confira a resolução do seu.
Os dados dos pacientes. Informações de saúde são dados pessoais sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados, e pedem cuidado extra: onde ficam guardados, quem acessa, como são apagados quando o prazo acaba. Um sistema com controle de acesso ajuda, e uma pasta compartilhada sem senha não.
Alvará, vigilância sanitária e a prefeitura
Para um consultório presencial, a prefeitura costuma ser a etapa que mais demora e a que menos depende de você. Por isso, comece perguntando cedo. Segundo o Sebrae, formalizar um negócio passa pelo registro da empresa e pelo CNPJ, pela inscrição municipal e pelos alvarás e licenças, com verificações prévias na prefeitura, no Corpo de Bombeiros e na vigilância sanitária, conforme o caso. Para uma profissão regulamentada, entra também o registro no conselho regional.
Nem tudo isso vale para todo consultório: o que se exige depende do município, do tipo de atendimento e do imóvel. Algumas prefeituras dispensam a licença sanitária para certas atividades, e outras exigem para todas. A pergunta certa à prefeitura, antes de assinar o aluguel, é: "para atender como (a sua profissão) neste endereço, quais licenças eu preciso?". O Sebrae tem um e-book sobre como formalizar um negócio, com as verificações que costumam vir antes de abrir (prefeitura, bombeiros, vigilância sanitária), que ajuda a montar a lista de perguntas.
Quem atende só online tem menos exigências físicas, mas continua sujeito às regras do conselho sobre o atendimento a distância. Elas cobrem pontos como o sigilo, o registro do atendimento e o consentimento do paciente, e mudam de profissão para profissão.
Quanto custa montar
O custo varia tanto por cidade e por formato que qualquer número solto engana. O que se pode dar é a lista de itens a somar, e uma conta que você faz com os seus valores:
| Item | Como entra na conta |
|---|---|
| Aluguel ou sublocação da sala | Por mês. Zero, se o atendimento é só online |
| Móveis e equipamentos | Uma vez: poltronas, mesa, computador, câmera, materiais da sua área |
| Sistemas e assinaturas | Por mês: agenda, prontuário, videochamada |
| Conselho profissional | Anuidade, por ano, dividida por 12 |
| Contador | Por mês, se você tem empresa |
| Divulgação | Por mês: cartão, perfil em portais, anúncio |
| Reserva de segurança | Alguns meses de custos, guardados antes de começar |
O guia interativo Como montar meu consultório faz essa soma para você: você digita os seus valores (os que aparecem já preenchidos são só exemplos) e ele calcula quanto é preciso para começar, quanto custa por mês e quanto custa no primeiro ano.
A reserva vem antes da inauguração
Um consultório novo leva um tempo até a agenda encher, e nesse período o custo fixo já corre. Uma referência de planejamento é ter guardados de três a seis meses de custos, somando os do consultório e o seu custo de vida. Não é uma regra legal, é uma orientação de gestão. Se o número parece alto, comece pelo formato de menor custo fixo e cresça depois.
A estrutura mínima para o primeiro paciente
Para começar bem, não é preciso ter tudo. Uma estrutura mínima costuma incluir:
- Um ambiente que garanta o sigilo: porta que fecha, som que não vaza, e, no online, um lugar sem interrupções.
- O material básico da sua profissão, comprado aos poucos, conforme a demanda aparece.
- Uma agenda que o paciente consiga usar: horários claros, confirmação e um canal para remarcar. A agenda em papel funciona no começo, e deixa de funcionar quando os pacientes se acumulam.
- Um contrato ou combinado de atendimento, por escrito, com valor, duração, forma de pagamento e regra de faltas.
- Uma forma de cobrar e de emitir o comprovante: recibo, se você atende pelo CPF, ou nota fiscal, se tem empresa.
Deixe o luxo para depois. Cada item que se compra antes da hora aumenta o custo fixo, e o consultório novo é o que menos aguenta custo fixo.
Como os primeiros pacientes chegam
A maioria dos consultórios novos começa com indicação, com o círculo profissional e com a presença online. Três frentes simples:
- Avise a sua rede. Colegas de outras especialidades, ex-colegas de faculdade e conhecidos que lidam com pessoas costumam ser a primeira fonte.
- Tenha uma presença profissional online. Um perfil onde o paciente busca por especialidade, cidade e convênio, com as informações certas e uma forma de agendar.
- Peça indicação com cuidado. No fim de um atendimento bem encerrado, sem pressão.
Um cronograma de 30 dias
Um cronograma realista para quem já tem o registro ativo, sabendo que o prazo da prefeitura não é seu:
| Quando | O que fazer |
|---|---|
| Semana 1 | Escolher o formato. Marcar a conversa com o contador. Perguntar à prefeitura e ao conselho o que a sua atividade exige |
| Semana 2 | Fechar o orçamento com os seus números. Escolher o local, ou a sala dividida, e negociar o contrato por escrito |
| Semana 3 | Montar a estrutura mínima. Escolher o sistema de agenda e de prontuário. Definir preço e política de faltas |
| Semana 4 | Montar o perfil online, avisar a sua rede e marcar os primeiros atendimentos |
Se alguma licença ainda estiver em andamento na semana 4, use o tempo para os passos que não dependem dela, como o perfil, o preço e os documentos.
Para levar
- O formato define os custos: sala própria pesa mais no custo fixo, e sala dividida e online, menos.
- O registro no conselho é o primeiro passo, e a regra de empresa e de alvará muda por conselho e por município.
- Prontuário e dados de pacientes têm regras próprias, e um sistema com controle de acesso ajuda.
- Some os seus próprios números, no guia ou numa planilha, antes de assinar o aluguel.
- Comece enxuta e cresça com a agenda.
Perguntas frequentes
Preciso de CNPJ para atender?
Não é obrigatório: você pode atender como pessoa física autônoma, emitindo o Receita Saúde quando a sua categoria for obrigada. O CNPJ passa a fazer sentido conforme o volume e o tipo de pagador. O artigo sobre CPF ou CNPJ traz a conta.
Preciso de alvará ou licença sanitária?
Depende do município e do tipo de atendimento. Muitas prefeituras pedem alvará de funcionamento e, para consultórios, a vigilância sanitária costuma ter regras próprias. Consulte a prefeitura antes de assinar o aluguel.
Sublocar uma sala vale a pena?
Para quem está começando, costuma valer: o custo fixo é menor e a estrutura já existe. A conta muda quando a agenda enche e o custo por hora de sala passa a pesar. Vale simular os dois cenários.
Posso atender online desde o início?
Sim, respeitando a resolução do seu conselho sobre atendimento a distância. Confira no site do conselho as regras da sua profissão, inclusive as de sigilo e de registro do atendimento.
Por quanto tempo devo guardar o prontuário?
A Lei 13.787/2018 fixa o mínimo de 20 anos a partir do último registro para o prontuário do paciente. Alguns conselhos têm norma própria para o registro documental, com prazo diferente: confira a resolução do seu.
Fontes
- [1]Sebrae: e-book Como formalizar seu negócio
- [2]Lei 13.787/2018 (prontuário eletrônico e prazo de guarda), no Planalto
- [3]Lei 13.709/2018 (Lei Geral de Proteção de Dados), no Planalto
- [4]Portal do Empreendedor: ocupações permitidas ao MEI
- [5]Conselho Federal de Psicologia (CFP)
- [6]Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO)
- [7]Conselho Federal de Medicina (CFM)
- [8]Conselho Federal de Nutricionistas (CFN)
- [9]Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa)
Conteúdo informativo, não substitui a orientação do seu contador.
Quem escreveu

Escrito por
Hugo Vasconcelos · Sócio da TivitaSócio da Tivita, especialista em gestão de consultórios.
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