Guia TISS: o que é e como preencher a guia de consulta e a SP/SADT

O padrão TISS da ANS, as guias e para que serve cada uma, e a guia de consulta campo a campo, com a condição de cada campo segundo a legenda oficial.

Por Hugo Vasconcelos

Atualizado em 1 de outubro de 2026 · 13 min de leitura

Fontes conferidas em 01/10/2026 · Como o manual é escrito

Quem passa a atender por convênio descobre que o atendimento não termina quando o paciente sai da sala. Ele termina quando a guia certa, com os campos certos e o código certo, chega à operadora no prazo, e quando o demonstrativo de pagamento mostra que ela pagou o que você cobrou.

Este texto explica o que é o padrão TISS, quais são as guias e para que serve cada uma, como preencher a guia de consulta campo a campo e o que muda na SP/SADT. Tudo aqui vem dos documentos da ANS. A versão vigente quando conferimos, em 01/10/2026, era a de setembro de 2026 [1]. Se você ainda não se credenciou, comece por como se credenciar em convênio.

O que é o padrão TISS

TISS quer dizer Troca de Informações na Saúde Suplementar. A ANS o estabeleceu como "um padrão obrigatório para as trocas eletrônicas de dados de atenção à saúde dos beneficiários de planos, entre os agentes da Saúde Suplementar" [2]. O componente organizacional do padrão diz para que ele serve [3]:

  • Padronizar as ações administrativas de verificação, solicitação, autorização, cobrança, demonstrativos de pagamento e recursos de glosa.
  • Subsidiar a ANS no acompanhamento econômico, financeiro e assistencial das operadoras.
  • Compor o registro eletrônico dos dados de atenção à saúde dos beneficiários.

Três regras do padrão protegem quem atende [3]:

  1. A operadora não pode alterar o padrão TISS.
  2. A operadora não pode pedir em papel o equivalente ao que foi trocado de forma eletrônica no padrão com certificado digital ICP-Brasil.
  3. A operadora não pode exigir o CID nas guias, por decisão judicial.

O certificado digital é e-CNPJ para a instituição que transmite a mensagem, e e-CPF para quem atua como pessoa física [3].

Os cinco componentes

O padrão é organizado em cinco partes, que a ANS publica separadas, cada uma com a sua versão [1]:

ComponenteO que estabelece
OrganizacionalAs regras operacionais do padrão
Conteúdo e estruturaA arquitetura dos dados das mensagens e do plano de contingência: as guias e os campos
Representação de conceitos em saúdeOs termos dos eventos e itens assistenciais, reunidos na TUSS
Segurança e privacidadeA proteção do sigilo, da privacidade e da confidencialidade dos dados
ComunicaçãoOs meios e métodos de envio das mensagens, em XML

Para preencher uma guia, o que importa são o segundo e o terceiro: o de conteúdo e estrutura traz o desenho de cada guia e a legenda de cada campo, e o de representação de conceitos traz os códigos.

O que é obrigatório no eletrônico

Nem tudo entre você e a operadora precisa ser eletrônico. O componente organizacional separa os processos em três grupos [3]:

  • De implantação obrigatória em meio eletrônico: cobrança de serviços, comunicação de internação ou alta, demonstrativos de retorno, recurso de glosa e, na autorização, a mensagem de lote de anexos.
  • Opcionais: verificação de elegibilidade, o restante da autorização de procedimentos e o envio de documentos. Quando a operadora os adota no eletrônico, tem de seguir o padrão.
  • Em papel, conforme o contrato: o comprovante presencial e o comprovante de atendimento da guia de tratamento odontológico.

Na prática, a operadora oferece um portal ou aceita o arquivo XML que o seu sistema gera. A guia em papel continua existindo como plano de contingência, e é a numeração dela que a ANS usa para identificar os campos [3].

As guias, e para que serve cada uma

O padrão lista as guias de cobrança, de solicitação de autorização e de comprovante presencial, com o uso de cada uma [3]:

GuiaUso, segundo a ANS
Guia de consultaCobrança de consultas eletivas
Guia de SP/SADTSolicitação de autorização e cobrança de consultas com procedimento, e de procedimentos, exames e serviços em paciente não internado
Solicitação de internaçãoPedido de autorização de internação hospitalar, hospital-dia ou domiciliar
Resumo de internaçãoCobrança da internação
Solicitação de prorrogação de internação ou complementação do tratamentoProrrogação da internação e novos procedimentos
Guia de honoráriosCobrança de honorários diretamente pelo profissional, em paciente internado
Guia de tratamento odontológicoCobrança e autorização de tratamento odontológico
Anexo de outras despesasMateriais, medicamentos, taxas, diárias e OPME de uma SP/SADT ou de um resumo de internação
Anexos de solicitação de OPME, quimioterapia e radioterapiaAutorização desses tratamentos
Guia de comprovante presencialComprovação, pela assinatura, da presença do beneficiário numa data

Para quem atende em consultório, as duas que mais aparecem são a de consulta e a de SP/SADT. Qual delas cada procedimento seu usa, e se ele pede autorização antes, está no contrato e no manual do prestador de cada operadora.

Como preencher a guia de consulta

A legenda da ANS dá, para cada campo, o número dele na guia em papel, o tipo de dado, o tamanho e a condição de preenchimento. A condição é uma de três: obrigatório, quando o campo é preenchido sempre; condicionado, quando depende de uma situação; e opcional, quando quem gera a informação decide [3]. Os campos abaixo são os da guia de consulta no componente de conteúdo e estrutura publicado com a versão de setembro de 2026, com o número da ANS [1].

Os dados da guia e do beneficiário

NºCampoCondição
1Registro ANS da operadoraObrigatório
2Número da guia no prestadorObrigatório
3Número da guia atribuído pela operadoraCondicionado: quando a operadora dá outro número à guia
4Número da carteira do beneficiárioObrigatório
5Validade da carteiraCondicionado: só na contingência em papel, quando a operadora exige autorização prévia e ela não pôde ser obtida
6Atendimento a recém-natoObrigatório: "S" quando o atendido é o recém-nato no contrato do responsável, "N" quando é o próprio beneficiário
7Nome do beneficiárioObrigatório
26Nome socialCondicionado: quando o interessado pede expressamente

Os dados de quem atendeu

NºCampoCondição
9Código do contratado na operadoraObrigatório
10Nome do contratadoObrigatório
11Código CNESObrigatório. Sem código ainda, preencha 9999999
12Nome do profissional executanteCondicionado: quando o contratado é pessoa jurídica
13Conselho profissionalObrigatório, pela tabela de domínio da ANS
14Número no conselhoObrigatório
15UF do conselhoObrigatório
16Código CBOObrigatório, a ocupação de quem atendeu

Os dados do atendimento

NºCampoCondição
17Indicação de acidente ou doença relacionadaObrigatório
27Cobertura especialOpcional; preenchido em atendimento ambulatorial em plano só hospitalar, a gestante ou no pré e pós-operatório
28Regime de atendimentoObrigatório
29Saúde ocupacionalOpcional; preenchido quando o atendimento é de saúde ocupacional
18Data do atendimentoObrigatório
19Tipo de consultaObrigatório
20Tabela de referência do procedimentoObrigatório
21Código do procedimentoObrigatório
22Valor do procedimentoObrigatório. Quando o contrato não permite definir o valor antes, preencha zero
23Observação ou justificativaOpcional
24Assinatura do profissional executanteObrigatório
25Assinatura do beneficiário ou responsávelObrigatório

Os campos com código, como conselho, tipo de consulta, tabela e regime de atendimento, usam as tabelas de domínio do padrão: o valor é o código da tabela, e não um texto livre. O seu sistema ou o portal da operadora costuma oferecer a lista, e a ANS publica as tabelas junto com o padrão [1].

A guia de SP/SADT

SP/SADT quer dizer serviço profissional e serviço auxiliar de diagnóstico e terapia. É a guia dos procedimentos, exames e terapias em paciente não internado, e serve tanto para pedir autorização quanto para cobrar [3]. O que o padrão diz sobre ela:

  • Ela pode trazer uma consulta com procedimento. A cobrança de consultas com ou sem procedimento e despesas pode ir na SP/SADT [3].
  • Os profissionais que participaram vão num quadro próprio, com o grau de participação de cada um [3].
  • Materiais, medicamentos e taxas vão no anexo de outras despesas, que não tem número próprio e sempre aponta para a guia de SP/SADT a que pertence [3].
  • Uma guia pode apontar para outra. O campo "número da guia principal" só deve ser usado para referenciar uma solicitação de internação ou outra SP/SADT [3].

Dentro de uma mesma guia, cada procedimento ou item tem um número sequencial que não pode se repetir, incluindo os itens do anexo de outras despesas [3].

TUSS: os códigos dos procedimentos

A TUSS, Terminologia Unificada da Saúde Suplementar, é o componente de representação de conceitos do TISS: o conjunto de termos que identifica cada procedimento, material, medicamento, diária e taxa [4]. Compete à ANS estabelecer a TUSS e as atualizações dela [3]. Cada termo tem código, descrição e datas de início e de fim de vigência, e uma data-limite para todos passarem a usá-lo [3].

As tabelas que mais aparecem no consultório são a TUSS 22, de procedimentos e eventos em saúde, e a tabela 38, de mensagens, que traz os motivos de glosa e de negativa [3]. A ANS publica as tabelas para consulta e para baixar em planilha, CSV, JSON ou por API [4]. E lembra que o estabelecimento não pode exigir que o paciente informe o código TUSS para ser atendido [4].

Glosa, demonstrativo e recurso

Depois de cobrar, a operadora devolve o demonstrativo de pagamento, e o que ela recusou vem como glosa, com o motivo codificado na tabela de mensagens [3]. Recorrer da glosa é um dos processos que o padrão torna obrigatório no meio eletrônico [3].

O contrato tem de dizer quando pode haver glosa e os prazos para contestar e para a operadora responder, e o seu prazo de contestar deve ser igual ao da operadora para responder. O contrato também não pode impedir você de ver as justificativas das glosas nem de contestá-las, desde que o faturamento tenha sido enviado no padrão TISS vigente [5]. Por isso, faturar fora do padrão não é só um problema de formulário: tira de você uma proteção.

Os erros que mais travam uma guia

Uma lista prática do que conferir antes de enviar, tirada das regras acima:

  1. Guia errada para o atendimento. Consulta eletiva na guia de consulta; procedimento, exame ou terapia na SP/SADT, conforme o contrato.
  2. Campo obrigatório vazio, ou condicionado deixado em branco quando a condição existia, como o nome do executante quando o contratado é uma empresa.
  3. Código fora da tabela de domínio, ou um código TUSS com a vigência encerrada.
  4. Número de guia repetido, ou o sequencial do item repetido dentro da mesma guia.
  5. Assinaturas faltando onde a legenda as pede.
  6. Versão do padrão desatualizada. A operadora recebe na versão vigente, e o histórico das versões fica na página do TISS na ANS [2].

Para levar

  • O TISS é o padrão obrigatório da ANS para trocar dados com a operadora, e ela não pode alterá-lo.
  • A guia de consulta cobra consulta eletiva, e a de SP/SADT cobra procedimentos, exames e terapias de paciente não internado.
  • Cada campo tem uma condição na legenda da ANS: obrigatório, condicionado ou opcional.
  • Os códigos vêm da TUSS, que a ANS mantém e atualiza.
  • Faturar no padrão vigente garante o acesso às justificativas da glosa e o direito de contestá-la.

O padrão muda de versão, e a página do TISS na ANS é a última palavra. O contrato e o manual de cada operadora dizem o resto.

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Perguntas frequentes

O que é o padrão TISS?

É o padrão obrigatório da ANS para a troca eletrônica de dados de atenção à saúde entre operadoras de planos e prestadores: autorização, cobrança, demonstrativo de pagamento e recurso de glosa. A operadora não pode alterá-lo.

Qual a diferença entre a guia de consulta e a guia de SP/SADT?

Segundo a ANS, a guia de consulta é para a cobrança de consultas eletivas. A de SP/SADT serve para pedir autorização e cobrar procedimentos, exames e serviços em paciente não internado, inclusive consulta com procedimento.

O que pôr no campo do CNES se eu ainda não tenho o código?

A legenda da guia de consulta da ANS diz que o campo é obrigatório e que, caso o prestador ainda não possua o código do CNES, ele deve ser preenchido com 9999999.

A operadora pode exigir o CID na guia?

Não. O componente organizacional do padrão TISS diz que fica vedada às operadoras, em quaisquer circunstâncias, a exigência do CID nas guias TISS, em decorrência de decisão judicial.

Onde encontro o código TUSS de um procedimento?

A ANS publica as tabelas da TUSS para consulta na internet e para baixar em planilha, CSV, JSON ou por API. A tabela 22 traz os procedimentos e eventos em saúde. O paciente não precisa informar o código para ser atendido.

Fontes

  1. [1]ANS: Padrão TISS, versão setembro/2026 (componentes e legenda das guias)
  2. [2]ANS: TISS, Padrão para Troca de Informação de Saúde Suplementar
  3. [3]ANS: Padrão TISS, componente organizacional, setembro/2026
  4. [4]ANS: códigos da TUSS
  5. [5]ANS: obrigatoriedade do contrato escrito entre operadoras e prestadores

Conteúdo informativo, não substitui a orientação do seu contador.

Quem escreveu

Escrito por

Hugo Vasconcelos · Sócio da Tivita

Sócio da Tivita, especialista em gestão de consultórios.

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