Ponto de equilíbrio do consultório: quantas sessões por mês para pagar as contas
Custos fixos e variáveis, a fórmula do ponto de equilíbrio e um exemplo passo a passo: quantas sessões por mês o consultório precisa para não ter prejuízo.
Por Hugo Vasconcelos · Revisado por Nathan Vasconcellos, CRC-MG 123425, em 01/10/2026
Atualizado em 1 de outubro de 2026 · 11 min de leitura
Fontes conferidas em 01/10/2026 · Como o manual é escrito
Quase todo mundo que abre um consultório faz uma pergunta que não sabe nomear: quantos pacientes eu preciso atender por mês para isso valer a pena? Essa pergunta tem nome, ponto de equilíbrio, e uma conta simples, que cabe numa folha de papel. Quem a faz deixa de depender da sensação de "estou trabalhando muito" e passa a saber quantas sessões precisam acontecer para o mês fechar.
Este texto ensina a conta, passo a passo, com um exemplo de números inventados. Mostra o que são custos fixos e variáveis, como entra a sua retirada, como transformar o resultado em sessões por semana e o que fazer quando o número parece alto demais. Ele complementa o guia de gestão financeira do consultório e o de quanto cobrar por sessão, e se apoia no texto sobre margem de lucro.
O que é o ponto de equilíbrio
O ponto de equilíbrio é o ponto em que o que entra é igual ao que sai. Abaixo dele, o consultório dá prejuízo. Acima dele, dá lucro. O Sebrae o descreve como a quantidade mínima a ser vendida para que a empresa não tenha prejuízo, e a equação que ele apresenta é:
ponto de equilíbrio = (custos e despesas fixas + lucro mínimo) ÷ margem de contribuição
Nessa equação, a margem de contribuição é o preço de venda menos os custos e despesas variáveis. No consultório, a "venda" é a sessão, e a tradução é:
sessões de equilíbrio = (custos fixos do mês + o que você quer que sobre) ÷ (preço da sessão − custos variáveis por sessão)
Se algum termo é novo, calma: cada um é explicado a seguir.
Custos fixos e custos variáveis
A conta depende de separar os custos em dois grupos, e a separação é simples: o custo fixo existe mesmo que você não atenda ninguém, e o variável só existe quando a sessão acontece. O Sebrae usa uma definição parecida: custos fixos são os gastos que não mudam com o volume vendido e continuam existindo mesmo sem faturamento, e os variáveis se alteram conforme o nível de venda.
Custos fixos do consultório
São os que você paga todo mês, independente da agenda:
- Aluguel ou sublocação da sala, condomínio, água e luz.
- Internet e telefone.
- Sistema de agenda, prontuário e outros programas.
- Contador.
- Anuidade do conselho, dividida por 12.
- Seguro, se houver, e a manutenção de equipamentos.
- Divulgação recorrente.
Custos pagos uma vez por ano entram divididos por 12, para o mês não ser enganado por eles.
Custos variáveis por sessão
São os que crescem com o número de sessões:
- Impostos sobre o que você recebe, se calculados em porcentagem do faturamento, como a guia do Simples Nacional. Já o carnê-leão depende do quanto você recebe no total do mês, e não de cada sessão. Se você é pessoa física, estime a porcentagem média.
- Taxas de cartão e de plataformas de pagamento, cobradas sobre cada transação.
- Material de consumo usado por sessão.
- Repasse a outro profissional, se você atende com alguém que recebe por sessão.
- Deslocamento, no atendimento domiciliar.
A soma dos variáveis por sessão, em reais, é o número que se desconta do preço.
E o meu salário: é custo fixo?
Aqui está o passo que muda o resultado. Se a conta considera só os custos do consultório, ela mostra o ponto de equilíbrio contábil: o número de sessões em que o consultório se paga, mas você não recebe nada por seu trabalho. Se a conta inclui a sua retirada, o pró-labore, como parte do "que você quer que sobre", ela mostra o número de sessões em que o consultório se paga e sustenta você.
O segundo é o que importa para a vida real. Uma profissional que atende o número do primeiro está trabalhando de graça. O guia de gestão financeira explica o pró-labore, e a lógica é a mesma do texto sobre margem de lucro: o seu trabalho precisa estar na conta.
A conta, passo a passo
- Some os custos fixos do mês.
- Decida o que você quer que sobre (pró-labore, mais uma parte para a reserva, se quiser). Some ao passo 1.
- Calcule o custo variável por sessão, em reais: imposto médio, taxa e material.
- Calcule a margem de contribuição: preço da sessão menos o custo variável por sessão.
- Divida: (passo 1 + passo 2) ÷ passo 4. O resultado é o número de sessões pagas por mês.
- Ajuste pelas faltas: divida o número de sessões pagas por (1 − taxa de faltas sem cobrança) para achar as sessões que você precisa marcar.
Um exemplo completo
Todos os números abaixo são inventados, só para mostrar a conta:
| Item (exemplo) | Valor |
|---|---|
| Custos fixos do mês (sala, sistemas, contador, anuidade) | R$ 4.000 |
| O que quero que sobre por mês (pró-labore) | R$ 5.000 |
| Preço da sessão | R$ 150 |
| Imposto e taxa médios | 10% do preço, R$ 15 |
| Material por sessão | R$ 10 |
| Faltas sem cobrança | 10% |
| Semanas de trabalho por ano | 46 |
Passo a passo:
- Custos fixos mais o que quero que sobre: R$ 4.000 + R$ 5.000 = R$ 9.000.
- Custo variável por sessão: R$ 15 + R$ 10 = R$ 25.
- Margem de contribuição: R$ 150 − R$ 25 = R$ 125.
- Sessões pagas de equilíbrio: R$ 9.000 ÷ R$ 125 = 72.
- Sessões a marcar, considerando 10% de faltas: 72 ÷ 0,9 = 80.
- Por semana: 80 × 12 meses ÷ 46 semanas, cerca de 21 sessões.
Resultado (do exemplo): para o consultório se pagar e ainda sustentar a retirada, essa profissional precisa de cerca de 72 sessões pagas por mês, o que significa marcar cerca de 80 e atender cerca de 21 por semana. Sem contar a retirada, o equilíbrio contábil seria de R$ 4.000 ÷ R$ 125 = 32 sessões.
Repare em uma coisa: o preço não entra na conta pelo valor cheio, e sim pela margem de contribuição, os R$ 125 que sobram de cada sessão depois dos custos variáveis. É essa parte que ajuda a pagar as contas fixas.
O que muda o resultado
O ponto de equilíbrio não é fixo, e cada peça da conta é uma alavanca. Com o mesmo exemplo:
| Cenário (exemplo) | O que muda | Sessões pagas de equilíbrio |
|---|---|---|
| Base | Nada | 72 |
| Preço maior | Sessão a R$ 170, com o mesmo imposto em porcentagem (R$ 17) e R$ 10 de material | 63 |
| Custo fixo maior | Custos fixos de R$ 5.000, no lugar de R$ 4.000 | 80 |
| Retirada menor | Retirada de R$ 3.000, no lugar de R$ 5.000 | 56 |
Os números são de exemplo, mas a lição é geral. Um preço um pouco maior reduz bastante o número de sessões necessárias, porque o aumento cai inteiro na margem. Um custo fixo maior empurra o equilíbrio para cima, e é por isso que o compromisso com um aluguel mais caro merece uma conta antes de ser assinado.
Se você está avaliando trocar de sala ou assinar um contrato mais caro, refaça a conta com o novo custo fixo antes de decidir. O texto sobre como montar um consultório traz outros custos da montagem.
Ponto de equilíbrio e a agenda que você tem
Com o número em mãos, compare com a sua agenda real:
- A capacidade. Quantas sessões cabem por semana, contando os horários que você quer abrir? Se o ponto de equilíbrio pede mais sessões do que a sua capacidade, a conta não fecha com esse preço e esses custos, e é hora de mexer em uma das peças.
- A ocupação atual. Quantas sessões você faz hoje? A distância entre a sua ocupação e o ponto de equilíbrio é a sua margem de segurança: se você faz 90 sessões pagas e o equilíbrio é 72, a diferença de 18 sessões, cerca de 20% do que você faz, é o quanto a agenda pode cair antes de o consultório ter prejuízo.
- A sazonalidade. Em meses fracos, como janeiro, julho e dezembro, a agenda cai. Compare a queda típica com a margem de segurança: se a queda passa da margem, o mês fecha no vermelho, e o texto sobre baixa temporada no consultório mostra como se preparar, inclusive com uma reserva para os meses fracos.
Chegar ao número de sessões pagas é metade do trabalho, e a outra é manter a agenda ocupada. Entre as sessões marcadas e as pagas, quem decide é a taxa de faltas, e um lembrete no WhatsApp na véspera ajuda a proteger o número que a conta pede.
Quando o número parece alto demais
Se o ponto de equilíbrio pede mais sessões do que você consegue ou quer atender, há cinco caminhos, e vale ver todos antes de aceitar que a conta "não fecha":
- Rever o preço. O caminho mais forte: pouco preço a mais reduz muito o equilíbrio. Use o guia de quanto cobrar por sessão e a calculadora grátis da loja de apps para refazer a conta.
- Reduzir custos fixos. Sublocar por período em vez de alugar uma sala inteira, trocar de sistema, renegociar o aluguel.
- Diminuir a retirada por um tempo, de forma planejada, no começo do consultório.
- Reduzir as faltas, que aumentam o número de sessões a marcar.
- Somar receitas, como grupos, supervisão, cursos ou atendimento online em horários que hoje ficam vazios, que diluem os custos fixos.
Evite a saída de "trabalhar mais horas" sem conta: mais horas com o mesmo preço e as mesmas faltas podem só aumentar o cansaço.
Erros comuns
- Esquecer o pró-labore. O equilíbrio contábil parece baixo, e você trabalha sem receber.
- Contar horários abertos como sessões pagas. O equilíbrio é em sessões pagas, e o que está na agenda pode não acontecer.
- Esquecer o imposto. Sem ele, a margem de contribuição parece maior do que é.
- Misturar custos fixos com variáveis. Um custo que não muda com a agenda é fixo, mesmo que você pague por sessão de uma plataforma com valor mínimo mensal. Na dúvida, veja o que acontece com o custo num mês sem atendimentos.
- Fazer a conta uma vez só. Refaça a cada reajuste de preço, aluguel ou imposto.
Para levar
- Ponto de equilíbrio = (custos fixos + o que você quer que sobre) ÷ (preço − custos variáveis por sessão).
- Custo fixo existe mesmo sem atendimento, e o variável só existe quando a sessão acontece.
- Coloque o seu pró-labore na conta: sem ele, o número mostra só o equilíbrio do consultório.
- Converta o resultado em sessões a marcar e por semana, descontando as faltas.
- A margem de segurança é a distância entre a sua agenda e o ponto de equilíbrio.
- Refaça a conta quando o preço, o aluguel ou o imposto mudarem.
Perguntas frequentes
O que é o ponto de equilíbrio?
É o número de sessões por mês em que a receita cobre todos os custos, sem lucro nem prejuízo. Abaixo dele o consultório perde dinheiro, e acima dele começa a sobrar.
Qual é a fórmula do ponto de equilíbrio?
Sessões de equilíbrio = (custos fixos do mês + o que você quer que sobre) ÷ (preço da sessão − custos variáveis por sessão). A diferença entre o preço e os custos variáveis é a margem de contribuição.
Qual a diferença entre custo fixo e variável?
O custo fixo existe mesmo que você não atenda ninguém, como aluguel, sistema e contador. O variável só existe quando a sessão acontece, como taxa de cartão, material e imposto sobre o faturamento.
Devo incluir o meu pró-labore na conta?
Sim, se você quer saber quantas sessões sustentam o consultório e você. Sem ele, o número mostra só o equilíbrio do consultório, e o seu trabalho fica sem remuneração.
O que fazer se o número de sessões parece alto demais?
Reveja o preço, reduza custos fixos, diminua a retirada por um tempo, reduza as faltas e some outras receitas, como grupos ou atendimento online. Um preço um pouco maior costuma ter o efeito mais forte.
Fontes
- [1]Sebrae: está gastando sem saber? Aprenda a identificar e reduzir custos fixos e variáveis
- [2]Sebrae: guia de planejamento financeiro para micro e pequenas empresas
- [3]Sebrae Bahia: guia prático de precificação para os pequenos negócios
- [4]Receita Federal: portal do Simples Nacional
Conteúdo informativo, não substitui a orientação do seu contador.
Quem escreveu

Escrito por
Hugo Vasconcelos · Sócio da TivitaSócio da Tivita, especialista em gestão de consultórios.
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Revisado em 01/10/2026 por
Nathan VasconcellosContador (CRC-MG 123425). Revisa os textos de imposto e de empresa do Manual do Consultório.