Quanto cobrar por sessão: como chegar ao valor sem chutar
Calcule o custo da sua hora, some impostos, faltas e feriados, e use as tabelas dos conselhos como referência. Com calculadora grátis dentro.
Por Hugo Vasconcelos · Revisado por Nathan Vasconcellos, CRC-MG 123425, em 01/10/2026
Atualizado em 29 de setembro de 2026 · 9 min de leitura
Fontes conferidas em 29/09/2026 · Como o manual é escrito
A pergunta "quanto eu cobro?" costuma ser respondida com um chute: olha-se o que a colega cobra, escolhe-se um valor que parece razoável e torce-se para dar certo. O problema desse caminho é que o valor da colega vem de uma conta que não é a sua, com outro aluguel, outra agenda e outro imposto.
Existe um jeito de sair do chute sem virar especialista em finanças: uma conta de cinco entradas que você consegue refazer sozinha. Este artigo mostra a conta, dá um exemplo, deixa uma calculadora para você usar e explica como olhar as tabelas de referência dos conselhos.
O preço é uma conta, e cabe numa frase
O preço mínimo da sessão é o que cobre três coisas: o que você quer que sobre para você, o que o consultório custa e o que vai para os impostos e as taxas. Tudo isso dividido pelas sessões que você de fato recebe.
Em fórmula:
preço mínimo = (o que você quer que sobre + custos do mês) ÷ (1 − imposto e taxas) ÷ sessões pagas por mês
Se algum termo é novo, calma: cada um é explicado abaixo. O que importa é ver que o preço nasce da sua realidade, e não da tabela de ninguém.
O custo da sua hora, passo a passo
O que você quer que sobre
Comece pelo fim: quanto você precisa que sobre por mês para viver, já livre dos custos e dos impostos. É o seu salário-alvo. Se você ainda não sabe, some o seu custo de vida e uma parte para a reserva. O artigo sobre gestão financeira do consultório mostra como definir um valor que o mês fraco aguente.
Os custos do consultório
Some, por mês, tudo o que o consultório custa para funcionar: aluguel ou sublocação da sala, sistemas e internet, contador, anuidade do conselho (dividida por 12), material, divulgação. Custos que são pagos uma vez por ano entram divididos por 12, para que o mês não seja enganado por eles.
As sessões que de fato acontecem
Aqui está o erro mais comum. Quem tem 20 horários abertos por semana costuma dividir a conta por 20, e esquece que nem todos acontecem nem são pagos. Conte:
- As semanas de trabalho no ano. Um ano tem 52 semanas, e você não vai atender em todas: descontam-se férias, feriados prolongados, congressos, doença. Muita gente trabalha entre 44 e 48.
- As faltas e desmarcações. Cada sessão que não acontece e não é cobrada é uma hora sem receita. A taxa varia de consultório para consultório, e o seu histórico é o melhor guia.
A conta fica assim: horários por semana, vezes semanas de trabalho, dividido por 12, e o resultado reduzido pela taxa de faltas. É o número de sessões pagas por mês.
Impostos e taxas entram no preço
O valor que o paciente paga não é o que fica com você. Uma parte vai para o imposto e, se você recebe por cartão ou usa alguma plataforma de pagamento, outra parte vai para as taxas. Por isso a conta divide por "um menos o percentual": se impostos e taxas levam 10%, você precisa cobrar o suficiente para que os outros 90% cubram tudo.
O percentual depende de como você atende:
- Pelo CPF, o imposto de renda é mensal, pelo carnê-leão, e depende do quanto você recebe no mês. Veja carnê-leão para profissionais de saúde.
- Pelo CNPJ, no Simples Nacional, a alíquota depende do anexo: a primeira faixa do Anexo III começa em 6%, e a do Anexo V, em 15,5%, conforme o Fator R. O artigo CPF ou CNPJ para profissional de saúde explica.
Se você ainda não sabe o seu percentual, use uma estimativa e refine depois com o contador. É melhor uma estimativa honesta do que esquecer o imposto.
Feriados, férias e faltas: o que fazer com cada um
- Feriados e férias: entram no número de semanas de trabalho. Quem planeja seis semanas de pausa no ano trabalha 46 semanas, e é essa a conta.
- Faltas com aviso: o paciente avisou a tempo e o horário foi reocupado, ou remarcado. Em geral, não pesam na conta.
- Faltas sem aviso: são as que pesam. Uma política combinada por escrito desde a primeira sessão, com a regra de cancelamento e o que acontece quando não há aviso, protege o seu caixa. Confira no código de ética e nas resoluções do seu conselho o que é permitido cobrar.
Um exemplo completo
Os números abaixo são inventados, só para mostrar o cálculo:
| Item | Valor |
|---|---|
| Quanto quer que sobre por mês | R$ 6.000 |
| Custos do consultório por mês | R$ 2.000 |
| Impostos e taxas | 10% |
| Horários por semana | 20 |
| Semanas de trabalho por ano | 46 |
| Faltas sem cobrança | 10% |
Passo a passo:
- Sessões marcadas por mês: 20 × 46 ÷ 12, cerca de 77.
- Sessões pagas por mês: 90% de 77, cerca de 69.
- Receita necessária: (6.000 + 2.000) ÷ 0,9, cerca de R$ 8.889.
- Preço mínimo: R$ 8.889 ÷ 69, cerca de R$ 129. Arredondando, R$ 130.
Se fossem 40 horários por semana com as mesmas faltas, o preço mínimo cairia para perto da metade. E se as faltas dobrassem para 20%, o preço subiria de novo. É por isso que a conta mostra onde você tem mais a ganhar: ocupar mais a agenda ou reduzir faltas pode valer mais do que subir o preço. Se você já tem o preço e quer saber quantos horários abrir por semana para chegar à renda que quer, a calculadora de quantas sessões atender faz essa mesma conta ao contrário.
Use a calculadora
Abaixo está a mesma conta, em formato de conversa, a calculadora "Quanto cobrar por sessão" da Tivita. Ela é gratuita, não pede cadastro e o resultado fica só no seu aparelho.
Quanto cobrar por sessão
7 perguntas · o resultado fica só no seu aparelho
O resultado fica só no seu aparelho: nada do que você digita aqui é enviado.
As tabelas de referência dos conselhos
Além da sua conta, você pode olhar o que as entidades da sua área publicam como referência de honorários. Cada uma tem regras e finalidades diferentes, e é importante ler cada uma pelo que ela é:
| Área | Tabela de referência | Como ler |
|---|---|---|
| Psicologia | Tabela de Referência Nacional de Honorários dos Psicólogos, do CFP e da Fenapsi [1] | Faixas de valores para as atividades da psicologia, atualizadas periodicamente |
| Nutrição | Tabela de honorários da Federação Nacional dos Nutricionistas (FNN) [3] | Publica valores mínimos |
| Medicina | CBHPM, da Associação Médica Brasileira [4] | Referência para a remuneração por convênio, e não um preço de consulta particular |
| Fisioterapia | Referencial Brasileiro de Procedimentos Fisioterapêuticos (RBPF), do COFFITO [2] | Cada procedimento tem uma pontuação, e o valor é a pontuação vezes um coeficiente de valoração |
| Fonoaudiologia | Tabelas dos sindicatos estaduais de fonoaudiologia | Não há tabela nacional, e cada estado publica a sua |
| Terapia ocupacional | Sistema COFFITO e CREFITO | Consulte o seu conselho regional sobre a referência vigente da profissão |
Não copiamos os valores das tabelas aqui porque eles mudam, e uma cópia velha engana. Consulte a tabela na fonte, no site da entidade, e veja a data de vigência. A calculadora acima compara o resultado com a tabela da sua área, quando existe uma com valor nacional.
Como usar a tabela sem se prender a ela
Uma tabela de referência é um retrato do que a categoria pratica, e não uma lei. Ela ajuda de três formas: mostra se o seu preço está muito abaixo do que colegas com formação parecida cobram, dá um argumento para conversar com quem paga pouco, como convênios, e serve de sinal de alerta quando a sua conta pede um preço muito acima ou muito abaixo dela.
Quando a conta pede um valor abaixo da tabela, cheque os custos: pode ser um bom sinal de que o consultório é enxuto. Quando pede acima, vale perguntar se a proposta de valor está clara, com uma formação específica, uma técnica diferenciada ou um formato de atendimento próprio, e se o paciente entende o que recebe.
Comunicando o preço e reajustando
O preço só funciona se o paciente o conhece antes da primeira sessão. Combine, por escrito, o valor, a duração da sessão, a forma de pagamento e a regra de faltas. Quando precisar reajustar, faça-o com aviso antecipado e com a razão simples: os custos subiram. Uma prática comum é revisar uma vez por ano, com a conta refeita na mão. Não há regra legal para o reajuste de uma consulta particular.
Para levar
- O preço mínimo é a conta: (o que sobra + custos) ÷ (1 − imposto e taxas) ÷ sessões pagas.
- Conte as sessões pagas, e não os horários abertos.
- Ocupar melhor a agenda e reduzir faltas podem valer mais do que subir o preço.
- A tabela do seu conselho é uma referência para conferir a conta, e não uma regra.
- Revise o preço uma vez por ano, refazendo a conta.
Perguntas frequentes
Como calcular o valor da minha sessão?
Some o quanto você quer que sobre por mês e os custos do consultório, acrescente impostos e taxas, e divida pelo número de sessões que você realmente recebe no mês, já descontando faltas, férias e feriados.
Devo seguir a tabela do meu conselho?
Ela é uma referência, não um piso nem um teto. Serve para conferir se o seu valor está muito abaixo do que a categoria pratica. O seu valor precisa fechar com a sua conta.
Como as faltas entram no preço?
Cada falta sem cobrança é uma hora de agenda sem receita. Ao calcular, use o número de sessões pagas, e não o de horários abertos, e combine a política de faltas com o paciente desde o começo.
Posso cobrar mais do que a tabela de referência?
Pode. Preço acima da referência pede uma proposta de valor clara, como formação, especialização ou um formato de atendimento diferente, e um paciente que entenda o que recebe.
Quantas vezes devo reajustar o preço?
Uma prática comum é revisar uma vez por ano, com a inflação e os custos em mãos, avisando os pacientes com antecedência. Não há regra legal para o reajuste de consulta particular.
Fontes
- [1]Tabela de Referência Nacional de Honorários dos Psicólogos (CFP e Fenapsi)
- [2]Referencial Brasileiro de Procedimentos Fisioterapêuticos (COFFITO)
- [3]Tabela de honorários da Federação Nacional dos Nutricionistas (FNN)
- [4]CBHPM, da Associação Médica Brasileira (AMB)
- [5]Sistema de Conselhos de Fonoaudiologia (CFFa)
- [6]Sebrae: fluxo de caixa na prática, como prever o saldo do mês
Conteúdo informativo, não substitui a orientação do seu contador.
Quem escreveu

Escrito por
Hugo Vasconcelos · Sócio da TivitaSócio da Tivita, especialista em gestão de consultórios.
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Revisado em 01/10/2026 por
Nathan VasconcellosContador (CRC-MG 123425). Revisa os textos de imposto e de empresa do Manual do Consultório.