Tabela de honorários da psicologia: o que é e como usar a do CFP

A tabela de referência do CFP e da Fenapsi não é piso nem teto. Veja o que ela é, como ler a versão em vigor e como levá-la para a conta do seu preço.

Por Hugo Vasconcelos

Atualizado em 30 de setembro de 2026 · 13 min de leitura

Fontes conferidas em 30/09/2026 · Como o manual é escrito

Quase toda psicóloga recém-formada faz a mesma pergunta nas primeiras semanas de consultório: "existe uma tabela oficial que diz quanto eu posso cobrar?". A resposta curta é que existe uma tabela oficial de referência, mas ela não diz o que você pode ou deve cobrar. Ela diz o que a categoria, organizada em torno do conselho e da federação, considera uma remuneração de referência para cada tipo de trabalho.

Este texto explica o que essa tabela é, quem a publica, como lê-la sem se enganar, onde achar a versão em vigor e como levá-la para dentro da sua conta de preço. Ele vai mais fundo no assunto do que o guia geral sobre quanto cobrar por sessão, que serve a todas as profissões de saúde e é o lugar certo para quem ainda não fez a conta do seu consultório.

O que é a tabela de referência do CFP e da Fenapsi

A tabela é um documento elaborado pelo CFP e pela Fenapsi que apresenta uma referência nacional de valores, em reais, para procedimentos e atividades da psicologia. Ela é atualizada de tempos em tempos, e cada nova edição sai com uma data a partir da qual passa a valer. O CFP publica o documento e as notícias de atualização no próprio site, e a Fenapsi mantém uma página com a mesma tabela.

Alguns pontos ajudam a entender o que ela é:

  • É nacional. Um mesmo documento serve de referência para o Brasil inteiro. Ele não ajusta o valor para o aluguel da sua cidade nem para o bairro do seu consultório.
  • Cobre mais do que a psicoterapia. A tabela lista várias atividades da profissão, e não só a sessão individual de psicoterapia: há atividades de avaliação, de orientação, de grupo e outras. Ao ler, procure a linha da atividade que você realmente faz.
  • É publicada pela categoria. O CFP é o conselho da profissão, e a Fenapsi reúne os sindicatos de psicólogos. A tabela, portanto, expressa uma referência da categoria, e não uma regra do governo ou uma tabela de preços de mercado.
  • Muda com o tempo. Por isso, uma cópia velha, num PDF que circula em grupos de mensagem, engana. O endereço confiável é sempre o do conselho.

Referência não é piso nem teto

Este é o ponto que mais gera confusão, e o próprio CFP o esclarece na página da tabela: ela apresenta uma referência nacional de valores, mas não estabelece piso nem teto para os honorários cobrados. Cabe a cada psicóloga definir, de comum acordo com a pessoa, física ou jurídica, que solicita o serviço, os valores a cobrar, tomando como referência a tabela e também a sua qualificação e experiência profissional.

Na prática, isso quer dizer três coisas:

  1. Você não comete infração por cobrar menos do que a tabela só por isso, e também não é obrigada a cobrar o que ela traz. O que o código de ética pede, de modo geral, é que a remuneração seja uma justa retribuição pelo serviço, e que a qualidade do trabalho não dependa do valor combinado.
  2. Você pode cobrar acima. Um valor acima da referência pede uma razão clara: formação e especialização, um formato de atendimento próprio, uma demanda que exige mais preparo. A tabela não impede isso.
  3. Ninguém pode dizer que o seu preço "está errado" só porque difere da tabela. Ele pode estar errado por outro motivo, por exemplo se não cobre os seus custos. Mas a comparação com a tabela é um dos sinais de que vale conferir a conta, e não um veredito.

Se você ficou com dúvida sobre o que o código de ética exige em relação a honorários, o texto do Código de Ética Profissional do Psicólogo está no site do CFP, e o seu conselho regional responde a consultas sobre o tema.

Como ler a tabela sem se enganar

Abrir o documento e olhar para uma linha só é o caminho mais curto para tirar uma conclusão errada. Vale seguir um roteiro:

  1. Confira a data de vigência. Uma tabela de um ano atrás pode estar defasada. O documento traz a data em que a atual passa a valer.
  2. Ache a atividade que você faz. A sessão de psicoterapia e uma avaliação psicológica têm linhas diferentes, e a duração da atividade também conta. Não compare o preço de uma sessão com o de um atendimento de outra natureza.
  3. Veja se a tabela traz faixas. Quando o documento apresenta mais de um valor para a mesma atividade, ele está dizendo que há variação legítima entre profissionais. Onde você se encaixa depende de formação, experiência, especialização e do custo do seu consultório.
  4. Leia as notas do documento. Em geral há observações sobre a duração da sessão, sobre o atendimento fora do consultório e sobre situações particulares. Elas mudam o que o número significa.
  5. Anote a fonte e a data no seu controle. Quando você revisar o preço no ano seguinte, saberá em que edição se apoiou.

Uma armadilha frequente é comparar o valor da tabela com o "preço que vejo por aí". O que circula em redes sociais é o que cada profissional anuncia, e não o que ela recebe depois de faltas, descontos e taxas. A tabela é uma referência de honorário, não uma pesquisa de mercado, e as duas coisas respondem a perguntas diferentes.

Onde achar a versão em vigor

O caminho é o site do CFP, na página de serviços dedicada à tabela de honorários, que traz o documento atual e leva às notícias sobre cada atualização. A página da Fenapsi reúne a mesma tabela. Os conselhos regionais de psicologia também costumam trazer a orientação em suas páginas.

Prefira sempre a fonte oficial ao arquivo que recebeu de uma colega. E se a sua região tem um sindicato de psicólogos, vale perguntar a ele se há alguma referência local além da nacional.

Por que não copiamos os valores aqui

Você não vai encontrar neste texto a lista de valores. A razão é simples: os números mudam a cada edição, e um blog que copia um valor de hoje passa a ensinar um valor errado amanhã. Preferimos apontar para o documento e ensinar a usá-lo. Isso vale também para qualquer texto que você encontre com "a tabela de honorários do ano" transcrita: confirme sempre na página do CFP.

Da tabela ao seu preço em quatro passos

A tabela ajuda mais quando entra no meio da conta, e não no começo. Um caminho que funciona:

  1. Faça a sua conta primeiro. Some o que você quer que sobre por mês, os custos do consultório e os impostos e taxas, e divida pelas sessões que você realmente recebe, descontando férias, feriados e faltas. O guia sobre quanto cobrar por sessão traz a fórmula e um exemplo. Você chega ao seu preço mínimo.
  2. Abra a tabela e ache a linha da sua atividade. Compare o seu preço mínimo com a referência.
  3. Interprete a diferença. Se o seu mínimo está bem abaixo da referência, o seu consultório talvez seja enxuto, e você tem espaço para decidir onde se posicionar. Se está acima, confira se os custos ou a agenda estão pesando e se a sua proposta de valor justifica o preço.
  4. Escolha o preço e escreva-o. O valor final não precisa ser o da tabela nem o do seu mínimo: é o que fecha a sua conta e que você consegue explicar a quem contrata.

Depois de escolher o preço, o trabalho passa a ser recebê-lo. Definir o valor é só metade do problema, e a outra metade é combinar a forma de pagamento, o dia do vencimento e o que acontece quando a sessão não é paga. Quanto mais simples for o caminho do pagamento para o paciente, menos tempo você gasta cobrando.

Quando o seu preço fica abaixo ou acima da tabela

Abaixo da referência

Cobrar abaixo da referência é uma decisão legítima, e há motivos comuns para ela: início de carreira, um consultório em cidade pequena, atendimento social com valor reduzido, sublocação barata que mantém o custo baixo. O risco não está em estar abaixo, e sim em estar abaixo sem ter feito a conta.

Um sinal de alerta é o valor que não cobre o seu custo por hora quando a agenda tem faltas e férias. Nesse caso o consultório funciona com o seu trabalho sem remuneração, e o que era uma escolha vira um problema. A saída costuma passar por ocupar melhor a agenda, reduzir custos ou reajustar aos poucos, e não por trabalhar mais horas.

Acima da referência

Cobrar acima é comum entre quem tem especialização, atende um público específico ou oferece um formato próprio. Aqui o cuidado é com a comunicação: o paciente precisa entender o que recebe e por que o valor é esse. Uma explicação simples, no primeiro contato, evita a impressão de que o preço é arbitrário.

Um atendimento social ou de valor reduzido

Muitas psicólogas reservam alguns horários para atendimento a valor reduzido. Esse é um caminho de escolha pessoal e ético que a tabela não impede. O que ajuda é tratar isso como parte do planejamento: decidir quantos horários por semana, por quanto tempo, e como o custo entra na conta dos demais horários, para que a política não dependa do humor do mês.

A tabela na conversa com convênios e empresas

A tabela também aparece quando alguém contrata em nome de outras pessoas: um plano de saúde, uma empresa que quer atendimento para os funcionários, uma clínica que credencia profissionais. Nessas conversas, o preço não é combinado com o paciente, e sim com quem paga.

Nesse cenário, a tabela funciona como um argumento: mostra o que a própria categoria considera referência e dá uma base para a negociação. O CFP mantém um guia de orientação sobre psicologia e saúde suplementar, que vale ler antes de assinar qualquer contrato de credenciamento, porque trata de temas que aparecem nessas relações.

Antes de aceitar um valor de convênio, faça a conta do que sobra: o valor pago, menos os impostos, menos o tempo que a operadora leva para pagar, menos as glosas e as sessões não pagas. Um valor que parece próximo da referência pode render pouco depois desses descontos. O texto sobre capital de giro no consultório explica por que o prazo de pagamento também pesa.

Como comunicar o valor ao paciente

A tabela não resolve o momento em que você diz o preço, e esse momento pesa. Algumas práticas simples:

  • Diga o valor antes da primeira sessão, junto com a duração, a forma de pagamento e a regra de faltas. Quem sabe desde o começo tem menos chance de se surpreender.
  • Escreva. Um contrato de prestação de serviços curto, ou uma mensagem que resuma o combinado e que o paciente confirme, protege os dois lados. Ele também é o lugar da regra de cancelamento, tema do texto sobre faltas de pacientes.
  • Não use a tabela como escudo. Dizer "é o valor da tabela do conselho" dá a impressão de que o preço não é negociável nem seu, e pode soar como uma imposição. É melhor explicar o seu valor pelo que o trabalho envolve.
  • Reajuste com aviso. Uma revisão anual, com a conta refeita e um aviso antecipado, é bem aceita quando explicada.

Erros comuns ao usar a tabela

  • Copiar o valor sem checar a atividade. A linha de uma atividade diferente da sua leva a um preço que não representa o seu trabalho.
  • Usar uma edição antiga. Sempre confira a vigência.
  • Tratar a tabela como obrigação. Ela é uma referência, e tratá-la como piso legal leva a decisões ruins, tanto para cima quanto para baixo.
  • Ignorar os custos. Um preço na tabela que não cobre o seu custo não fecha a conta.
  • Esquecer as faltas. A tabela traz um valor por atividade, mas quem paga a sua conta são as atividades que acontecem e são pagas.
  • Não guardar a conta. Sem o registro de como o preço nasceu, o reajuste do ano seguinte vira um novo chute.

Uma calculadora para começar

Se você ainda não fez a conta do seu preço mínimo, comece pela calculadora gratuita da Tivita, que está no guia de quanto cobrar por sessão. Ela não pede cadastro, e o resultado fica só no seu aparelho. Com o número em mãos, volte à tabela do CFP para conferir onde ele se encaixa.

Para levar

  • A tabela do CFP e da Fenapsi é uma referência nacional, e não um piso nem um teto.
  • Cada psicóloga define o valor com quem contrata, e usa a tabela e a própria qualificação como referência.
  • Leia a versão em vigor no site do CFP, com a data de vigência e a linha da sua atividade.
  • Faça a sua conta antes de olhar a tabela, e use a tabela para conferir o resultado.
  • Combine o valor por escrito antes da primeira sessão, e reajuste com aviso, uma vez por ano.
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Perguntas frequentes

A tabela de honorários do CFP é obrigatória?

Não. O próprio CFP a apresenta como uma referência nacional, que não estabelece piso nem teto. Cabe a cada psicóloga definir o valor com quem contrata, usando a tabela e a sua qualificação e experiência como referência.

Quem publica a tabela de referência dos psicólogos?

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) e a Federação Nacional dos Psicólogos (Fenapsi). Ela é atualizada de tempos em tempos, e a versão em vigor está no site do CFP e no da Fenapsi, com a data de vigência.

Posso cobrar menos do que a tabela?

Pode. Como a tabela não é um piso, cobrar abaixo não é irregular só por isso. O risco está em cobrar abaixo sem ter feito a conta: confira se o valor cobre os seus custos, os impostos e as faltas.

Posso cobrar mais do que a tabela?

Pode. Um valor acima da referência pede uma razão clara, como formação, especialização ou um formato de atendimento próprio, e um paciente que entenda o que recebe.

Por que o texto não traz os valores da tabela?

Porque os valores mudam a cada edição, e uma cópia velha ensina um número errado. O texto aponta a página do CFP, que traz a versão em vigor com a data de vigência.

Fontes

  1. [1]CFP: tabela de honorários (Tabela de Referência Nacional de Honorários dos Psicólogos)
  2. [2]Fenapsi: tabela de honorários
  3. [3]CFP e Fenapsi atualizam a tabela de referência de honorários da psicologia
  4. [4]CFP: Código de Ética Profissional do Psicólogo
  5. [5]CFP: guia de orientação sobre psicologia e saúde suplementar

Conteúdo informativo, não substitui a orientação do seu contador.

Quem escreveu

Escrito por

Hugo Vasconcelos · Sócio da Tivita

Sócio da Tivita, especialista em gestão de consultórios.

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