Como abrir CNPJ como profissional de saúde: o passo a passo

As etapas para abrir a empresa: tipo, CNAE, viabilidade na prefeitura, registro, Simples Nacional, alvará, conselho e nota fiscal, e o que levar ao contador.

Por Hugo Vasconcelos · Revisado por Nathan Vasconcellos, CRC-MG 123425, em 01/10/2026

Atualizado em 1 de outubro de 2026 · 10 min de leitura

Fontes conferidas em 01/10/2026 · Como o manual é escrito

Abrir uma empresa parece um monte de portais e siglas. Na prática, é uma sequência de etapas com uma ordem que faz sentido, e a maior parte do trabalho é decidir bem as duas primeiras: se a empresa vale a pena e de que tipo ela deve ser. O resto é tramitação.

Este texto é o passo a passo de como abrir o CNPJ de um consultório ou de uma clínica pequena. Ele não substitui o contador, que é quem conhece o seu caso e o seu município, e por isso vem com uma lista de perguntas para levar a ele. Se você ainda não decidiu entre atender por CPF ou por CNPJ, comece pelo artigo sobre CPF ou CNPJ.

Antes de abrir: confirme que a empresa compensa

Abrir uma empresa cria custos que o atendimento por CPF não tem: o contador, a guia mensal do regime, o registro no conselho, quando exigido, e o trabalho de manter as obrigações em dia. Em troca, a empresa pode ter uma carga tributária menor, permite contratar e ter sócios e abre portas com clínicas e convênios que só contratam pessoa jurídica.

Uma conta rápida, com o contador, antes de qualquer registro, evita o arrependimento. Leve o seu faturamento médio, quem paga você, e o quanto você retiraria por mês. O Fator R e o pró-labore entram nessa conversa, e a calculadora de PF ou PJ ajuda a colocar números nela.

O passo a passo

1. Escolha o contador

O contador entra no começo, e não no fim. Ele indica o tipo de empresa, o CNAE, o regime e o momento de abrir, e cuida das etapas seguintes. Uma empresa aberta sem ele costuma ser refeita depois. O que perguntar está na lista ao final do texto.

2. Escolha o tipo de empresa

O Portal Empresas e Negócios, do governo federal, explica os tipos de pessoas jurídicas. Para um profissional de saúde que atende sozinho ou com poucos sócios, as opções mais comuns são:

  • Sociedade limitada unipessoal (SLU). Uma empresa com um único sócio, criada pela Lei 13.874/2019, com a responsabilidade limitada ao capital, nos termos da lei.
  • Sociedade limitada com mais de um sócio. Para clínicas com sócios.
  • Sociedade simples. Prevista no Código Civil para quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística.
  • Empresário individual. O Código Civil não considera empresário quem exerce profissão intelectual, salvo quando o exercício da profissão constitui elemento de empresa, e por isso este formato costuma exigir uma conversa específica com o contador e com a Junta.

O tipo define onde se registra: a sociedade empresária, como a limitada, é registrada na Junta Comercial, e a sociedade simples, no cartório de registro civil das pessoas jurídicas. A regra de qual se aplica à sua profissão e ao seu estado é do contador e do órgão local, e não do texto de um site. O Código Civil traz as regras gerais.

3. Defina o nome e o CNAE

O CNAE é o código da atividade da empresa. Ele aparece no CNPJ, na nota fiscal e no cálculo do Simples Nacional, e por isso não se escolhe por tentativa. A atividade principal deve refletir o que você faz, e há CNAEs secundários para atividades complementares. É o CNAE que decide em qual anexo do Simples a empresa cai, e se ela se sujeita ao Fator R.

Escolha também o nome empresarial. Ele passa por uma verificação: a consulta de viabilidade confere se já existe empresa com nome igual ou parecido.

4. Faça a consulta prévia de viabilidade

É a etapa em que se descobre se dá para abrir. O Portal, na consulta prévia de viabilidade, explica que ela tem duas fases:

  • Viabilidade de localização, a cargo do município, que confere se a atividade pode ser exercida no endereço, de acordo com as normas urbanísticas.
  • Viabilidade de nome empresarial, a cargo do órgão de registro, que confere se já há empresa com nome igual ou parecido.

A aprovação do endereço é condição para o alvará de funcionamento. Se você pretende usar a sua casa como endereço do consultório, ou o de uma sala comercial, essa etapa é onde a resposta aparece, e vale fazê-la antes de assinar um aluguel.

5. Registre a empresa e obtenha o CNPJ

Com a viabilidade aprovada, o registro é feito pela Redesim, a rede que integra os órgãos envolvidos, e conduz ao registro no órgão competente e à inscrição no CNPJ. O Portal explica o caminho geral em abrir CNPJ, e as orientações sobre onde registrar estão em quero registrar minha empresa. O contador conduz essa etapa e a assinatura do contrato social.

6. Opte pelo Simples Nacional no início

Quem abre uma empresa manifesta a opção pelo Simples Nacional junto da inscrição do CNPJ, dentro do prazo que o portal informa, e não deve deixá-la para depois. É uma etapa que o contador cuida junto da inscrição, e o prazo e a forma da opção mudaram recentemente: o portal do Simples Nacional traz a regra vigente. O artigo sobre Simples Nacional para clínicas explica o regime.

7. Tire a inscrição municipal e o alvará

Com o CNPJ, vêm as licenças do município: a inscrição municipal, que é o que permite emitir nota fiscal de serviço, e o alvará de funcionamento, que autoriza a atividade no endereço. Dependendo da atividade, pode ser exigida também a licença da vigilância sanitária, e as regras variam por município e por tipo de atendimento. O Sebrae tem um e-book sobre como formalizar um negócio, com os órgãos de registro e as licenças.

8. Registre a empresa no conselho, quando exigido

Cada conselho de classe tem regras próprias para a pessoa jurídica. O Conselho Federal de Psicologia, por exemplo, exige a inscrição da empresa cuja atividade principal é a psicologia, com um responsável técnico, no conselho regional da região onde ela atua, e o COFFITO e os seus regionais têm o registro de pessoa jurídica de fisioterapia e terapia ocupacional. Medicina, nutrição e fonoaudiologia têm as suas regras nos respectivos conselhos: CFM, CFN e CFFa. A página do CFP sobre a nova resolução sobre pessoa jurídica mostra o tipo de exigência que existe. A regra de cada conselho regional é a que vale, e o site dele é o lugar de conferir.

9. Habilite a nota fiscal de serviço

A empresa emite nota fiscal de serviço eletrônica, a NFS-e, pelo sistema da prefeitura ou pelo padrão nacional, conforme o município. O portal da NFS-e explica o emissor nacional, e o artigo sobre nota fiscal de serviço detalha o que muda para o profissional de saúde. Para as empresas do Simples Nacional, a emissão pelo emissor nacional se tornará obrigatória a partir de 1º de novembro de 2026, conforme anunciou a Receita, e por isso vale perguntar ao contador como ficará no seu município.

10. Abra a conta bancária da empresa

A conta da empresa separa o dinheiro dela do seu, o que ajuda na contabilidade e protege o seu patrimônio: a mistura entre os dois pode levar a Justiça a desconsiderar a separação. O artigo sobre gestão financeira do consultório fala dessa separação. Muitos bancos pedem o contrato social e o CNPJ, e alguns pedem outros documentos.

Quanto custa, sem números inventados

Este texto não traz valores, porque eles variam por estado, por município, por tipo de empresa e por contador, e o valor de um lugar engana o de outro. O que se pode dizer é a lista do que costuma ter custo:

  • Taxas de registro, na Junta Comercial ou no cartório, que são definidas por cada estado.
  • Taxas municipais, de alvará e de vistoria, que cada município define.
  • Honorários do contador, na abertura e todo mês.
  • A guia mensal do regime, como o DAS do Simples Nacional, que depende do faturamento.
  • Certificado digital, que muitas vezes é necessário para as obrigações e as notas.
  • Anuidade e registro da empresa no conselho, quando exigidos, e a anuidade pessoal, que já existe.
  • Sistemas, de nota fiscal, agenda e cobrança.

A maneira honesta de estimar é pedir um orçamento ao contador e consultar as tabelas do seu estado e do seu município. E comparar o total com o que você paga hoje como pessoa física, com o carnê-leão.

Quanto tempo leva

Também varia. Depende da cidade, do tipo de empresa e de quão completos estão os documentos. Comece pela viabilidade, que é a etapa em que os obstáculos aparecem, e não assine aluguel nem compre equipamento antes de ter a resposta do município sobre o endereço.

Erros comuns

  1. Abrir a empresa antes de fazer a conta. O custo fixo existe desde o primeiro mês, mesmo sem faturamento.
  2. Escolher o CNAE errado. Ele muda o anexo do Simples, o enquadramento e as licenças.
  3. Alugar antes da viabilidade. O município pode não autorizar a atividade no endereço.
  4. Esquecer o conselho. Uma empresa que oferece serviço de saúde pode precisar de registro próprio, com responsável técnico.
  5. Misturar as contas. Dinheiro da empresa e dinheiro pessoal na mesma conta é o erro que mais custa depois.
  6. Não definir o pró-labore. Sem ele, a retirada do sócio fica sem forma, e o INSS e o Fator R sofrem.
  7. Deixar a nota fiscal para depois. A empresa precisa emitir a nota do primeiro atendimento, e o emissor tem de estar habilitado antes.

Perguntas para levar ao contador

  1. Qual tipo de empresa e onde ela deve ser registrada, no meu estado e para a minha profissão?
  2. Qual CNAE devo usar e em qual anexo do Simples Nacional ele cai?
  3. Qual pró-labore faz sentido para o meu faturamento, considerando o Fator R?
  4. Quanto vou pagar por mês, e como isso se compara com o que pago hoje pelo carnê-leão?
  5. A minha empresa precisa de registro no conselho da profissão?
  6. Preciso de licença da vigilância sanitária ou só do alvará?
  7. Como será a emissão da nota fiscal no meu município?
  8. Como fica o atendimento que eu já faço como pessoa física, e o que muda no meu imposto de renda?

Para levar

  • Antes de abrir, faça a conta com o contador: a empresa tem custo fixo.
  • A ordem é: tipo de empresa, CNAE, viabilidade, registro e CNPJ, opção pelo Simples, licenças, conselho e nota fiscal.
  • A viabilidade de localização é a etapa que mais surpreende: faça-a antes de alugar.
  • O tipo de empresa e o local de registro dependem da sua profissão e do seu estado.
  • Os custos variam por estado e município: peça um orçamento, e não copie o número de outro lugar.
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Perguntas frequentes

Qual é o primeiro passo para abrir um CNPJ?

Fazer a conta com o contador antes de qualquer registro, porque a empresa cria custos fixos que o atendimento por CPF não tem. Leve o faturamento médio, quem paga você e o quanto pretende retirar. Depois vêm o tipo de empresa, o CNAE e a consulta prévia de viabilidade.

O que é a consulta prévia de viabilidade?

É a etapa em que o município confere se a atividade pode ser exercida no endereço escolhido, de acordo com as normas urbanísticas, e o órgão de registro confere se já existe empresa com nome igual ou parecido. A aprovação do endereço é condição para o alvará de funcionamento, então faça essa consulta antes de alugar um espaço.

Preciso registrar a empresa no conselho da minha profissão?

Depende do conselho. O Conselho Federal de Psicologia, por exemplo, exige a inscrição da empresa cuja atividade principal é a psicologia, com um responsável técnico, no conselho regional. Cada conselho tem a sua regra, e o site do conselho regional é o lugar de conferir.

Quanto custa abrir uma empresa?

Os valores variam por estado, por município, por tipo de empresa e por contador, então este texto não traz números. O que costuma ter custo: taxas de registro, taxas de alvará, honorários do contador, a guia mensal do regime, certificado digital e a anuidade da empresa no conselho, quando exigida. Peça um orçamento ao contador.

Posso usar a minha casa como endereço do consultório?

Depende do município. É a consulta prévia de viabilidade que responde se a atividade pode ser exercida naquele endereço, de acordo com as normas urbanísticas locais. Faça essa consulta antes de decidir, e pergunte ao contador sobre as licenças que o seu tipo de atendimento pode exigir.

Fontes

  1. [1]Portal Empresas e Negócios: abrir CNPJ (Redesim)
  2. [2]Portal Empresas e Negócios: consulta prévia de viabilidade
  3. [3]Portal Empresas e Negócios: tipos de pessoas jurídicas
  4. [4]Portal Empresas e Negócios: quero registrar minha empresa
  5. [5]Código Civil (Lei 10.406/2002), no Planalto
  6. [6]Conselho Federal de Psicologia: resolução sobre pessoa jurídica
  7. [7]Portal da Nota Fiscal de Serviço eletrônica (NFS-e)
  8. [8]Receita Federal: portal do Simples Nacional
  9. [9]Sebrae: e-book Como formalizar seu negócio

Conteúdo informativo, não substitui a orientação do seu contador.

Quem escreveu

Escrito por

Hugo Vasconcelos · Sócio da Tivita

Sócio da Tivita, especialista em gestão de consultórios.

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Revisado em 01/10/2026 por

Nathan Vasconcellos

Contador (CRC-MG 123425). Revisa os textos de imposto e de empresa do Manual do Consultório.

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