Captação de pacientes: ser encontrado, ser indicado e ser lembrado
O perfil no Google, as plataformas, a indicação de colegas e as redes, dentro da regra do seu conselho, e como medir de onde vem cada paciente novo.
Por Hugo Vasconcelos
Atualizado em 1 de outubro de 2026 · 10 min de leitura
Fontes conferidas em 01/10/2026 · Como o manual é escrito
A agenda do começo raramente enche sozinha. Quem sai de uma clínica ou de um emprego para o consultório próprio descobre que atender bem é necessário, mas não basta: as pessoas precisam saber que você existe, confiar o bastante para marcar e conseguir marcar sem esforço.
Este é o texto de partida do tema Conseguir pacientes do Manual. Ele organiza as frentes que funcionam para quem atende em consultório próprio, psicólogos, médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e terapeutas ocupacionais, e aponta para os textos que aprofundam cada uma. Não há fórmula nem número mágico aqui: o que funciona no seu bairro e na sua especialidade você descobre medindo.
Comece por para quem você atende
Antes de qualquer perfil ou post, responda numa frase: quem é o paciente que você atende melhor? Uma faixa de idade, uma demanda, um tipo de atendimento, um bairro.
Isso não é limitar o consultório. É dar ao paciente um motivo para escolher você. "Psicóloga clínica" diz pouco a quem procura. "Psicóloga para adolescentes e famílias, presencial na Vila Mariana e on-line" diz para quem, como e onde. A mesma lógica vale para qualquer profissão: "fisioterapia para dor lombar e pós-operatório de joelho" ajuda o paciente a se reconhecer.
Com essa frase pronta, ela vai para o perfil no Google, para as plataformas, para a bio das redes e para a conversa com os colegas que podem indicar você.
Ser encontrado
Quem precisa de um profissional de saúde costuma começar buscando. Três lugares contam.
O Perfil da Empresa no Google. Adicionar ou reivindicar o perfil não tem custo [1], e é ele que aparece na Pesquisa e no Maps quando alguém procura um profissional por perto. O Google diz que os resultados locais se baseiam principalmente em relevância, distância e destaque, que informação completa e correta ajuda o perfil a aparecer, e que não há como pagar por uma classificação local melhor [2]. Na prática:
- Preencha o endereço, os horários, a categoria certa e uma descrição com a frase de quem você atende.
- Ponha fotos reais do consultório.
- Responda às avaliações, inclusive às negativas, com cuidado: nada de dado de saúde do paciente na resposta.
- Peça avaliações sem oferecer nada em troca. O Google proíbe dar desconto, brinde ou serviço gratuito em troca de avaliação, e também proíbe pedir avaliações positivas só a alguns pacientes [3].
As plataformas de busca de profissionais. Doctoralia, BoaConsulta, EuMarco.ai e outras. Cada uma cobra e funciona de um jeito, e vale compará-las com a mesma régua antes de pagar. O texto Doctoralia vale a pena? faz essa comparação.
O seu próprio site ou página. Não é obrigatório no começo, mas uma página simples com quem você é, para quem atende, onde e como marcar dá ao paciente um lugar para confirmar que você é real.
Um aviso, porque o cartão abaixo é de um produto nosso: o EuMarco.ai é feito pela Tivita, que publica este Manual.
Ser indicado
A indicação continua sendo uma das formas mais fortes de chegar a um paciente, porque vem com a confiança de quem indicou. E ela não custa nada.
Colegas de outras áreas. O psicólogo que recebe pacientes do psiquiatra, o fisioterapeuta que recebe do ortopedista, o nutricionista que recebe do endocrinologista. Faça a sua rede saber para quem você atende, e devolva o paciente com notícias quando fizer sentido e com a autorização dele. O médico, por exemplo, tem o dever de devolver ao médico assistente o paciente que recebeu para procedimento especializado, com as informações do período em que cuidou dele [6].
Colegas da mesma área. Quem tem a agenda cheia, quem não atende a sua especialidade, quem vai sair de férias.
Pacientes. Quem foi bem atendido indica. Um pedido simples, no fim de um acompanhamento bem encerrado, sem pressão, costuma bastar.
O limite: não pague nem receba por indicação. Vários códigos de ética vedam isso de forma expressa. O psicólogo não pode receber nem pagar remuneração ou porcentagem por encaminhamento [4]. O médico não pode oferecer nem aceitar remuneração ou vantagem por paciente encaminhado ou recebido [6]. O fisioterapeuta não pode receber comissão ou vantagem por encaminhamento de paciente [7]. Um "programa de indicação" com desconto ou pagamento para quem indica precisa passar por essa regra antes de existir.
Ser lembrado: conteúdo e redes sociais
Redes sociais funcionam para alguns profissionais e não para outros, e não são obrigatórias. Quando funcionam, é porque o conteúdo ajuda quem lê: explica como funciona o atendimento, desfaz dúvidas comuns, mostra o consultório e quem atende.
As regras de cada conselho valem nas redes como em qualquer anúncio. Em resumo:
- O perfil traz o seu nome, a profissão e o número de inscrição no conselho. O psicólogo informa o nome completo, o CRP e o número [4]; o médico põe o CRM e, se anunciar especialidade, o RQE, na página principal do perfil [5]; o fisioterapeuta põe o nome, a profissão e a inscrição no conselho regional também na divulgação em meio eletrônico [7].
- Nada de prometer resultado nem de sensacionalismo.
- O preço tem regra própria em cada profissão. O médico pode informar o valor da consulta [5], mas o psicólogo não usa o preço como propaganda [4], o nutricionista não usa o valor, promoções e sorteios como publicidade [8], e para o fonoaudiólogo anunciar preços, descontos e sorteios é infração, salvo na divulgação de cursos e palestras [9].
- Imagem e depoimento de paciente têm regras próprias, e a autorização por escrito nem sempre basta.
O texto publicidade na saúde compara as regras dos cinco conselhos, e o de marketing para psicólogos detalha a do CFP.
Transformar o contato em consulta
Muitos pacientes se perdem entre o "oi, você atende?" e a primeira consulta. Três coisas ajudam:
- Responder rápido. Quem procura um profissional costuma procurar vários ao mesmo tempo. Uma mensagem pronta, com os horários disponíveis e como marcar, encurta o caminho.
- Deixar claro o que acontece na primeira consulta. Duração, formato, o que levar, como pagar.
- Combinar o valor antes. Isso não é só boa prática: o código do psicólogo manda comunicar o valor ao paciente antes do início do trabalho [4], e o código médico veda deixar de ajustar previamente com o paciente o custo estimado dos procedimentos [6]. O texto sobre quanto cobrar por sessão ajuda a chegar ao valor.
Uma ficha de anamnese enviada antes da consulta também ajuda: o paciente chega com as informações preenchidas, e a primeira sessão rende mais. Na loja da Tivita, a Anamnese pelo WhatsApp manda a ficha ao paciente por um link.
Manter quem já chegou
Conseguir um paciente novo custa esforço. Perder um que já estava em acompanhamento por uma falta esquecida, ou por uma agenda difícil de remarcar, é desperdiçar esse esforço.
- Lembretes automáticos antes da consulta reduzem as faltas por esquecimento. A mensagem leva dia, hora e local, e nunca informação de saúde: dado de saúde é dado pessoal sensível pela Lei Geral de Proteção de Dados [10].
- Uma política de cancelamento clara, combinada antes, dentro da regra do seu conselho.
- Uma lista de espera para reocupar o horário cancelado.
O texto sobre faltas de pacientes mostra como montar essa rotina.
Medir de onde vem cada paciente
Sem medir, toda decisão de divulgação é um chute. A medida mais simples é também a mais útil: pergunte a cada paciente novo como chegou até você e anote num lugar só.
| Frente | O que anotar todo mês |
|---|---|
| Pacientes novos que disseram "achei no Google" | |
| Plataformas | Pacientes novos de cada plataforma, e quanto ela custou no mês |
| Indicação | Pacientes novos indicados, e por quem |
| Redes sociais | Pacientes novos que vieram pelas redes |
| Retenção | Faltas, cancelamentos e pacientes que encerraram |
Com dois ou três meses de anotação, as decisões ficam fáceis: a plataforma que não trouxe ninguém sai, o colega que indica sempre recebe um agradecimento (nunca uma comissão), e o tempo que você gasta nas redes passa a ter um número para comparar.
Um plano para os próximos 30 dias
- Semana 1: escreva a frase de para quem você atende. Crie ou revise o Perfil da Empresa no Google com endereço, horário, categoria, fotos e essa frase.
- Semana 2: faça uma lista de dez colegas de outras áreas que atendem o mesmo público e conte a eles para quem você atende. Revise a bio das suas redes com a regra do seu conselho ao lado.
- Semana 3: monte a mensagem pronta de resposta, a explicação da primeira consulta e o lembrete automático.
- Semana 4: comece a anotar a origem de cada paciente novo. Se for testar uma plataforma paga, defina já a data em que vai rever a conta.
Para levar
- Defina para quem você atende antes de divulgar: é isso que faz o paciente escolher você.
- Comece pelo que não tem custo: o Perfil da Empresa no Google e a sua rede de colegas.
- Indicação sim, pagamento por indicação não: vários códigos de ética vedam.
- Responda rápido, explique a primeira consulta e combine o valor antes.
- Lembretes e uma política de cancelamento protegem os pacientes que você já conquistou.
- Anote a origem de cada paciente novo e decida com esses números.
Perguntas frequentes
Qual o primeiro passo para conseguir pacientes no consultório?
Definir para quem você atende, numa frase, e colocar essa frase num Perfil da Empresa no Google com endereço, horário e fotos. Criar ou reivindicar o perfil não tem custo, e é por ele que muita gente encontra um consultório perto de casa.
Posso pagar a quem me indica pacientes?
Em várias profissões, não. Os códigos de ética do psicólogo, do médico e do fisioterapeuta vedam pagar ou receber por paciente encaminhado. Agradecer a indicação, sim; antes de transformá-la em comissão ou desconto, leia o código da sua profissão.
Vale a pena pagar uma plataforma como a Doctoralia?
Depende do custo por paciente novo no seu consultório. Some o que a plataforma cobra no mês, divida pelos pacientes que vieram dela e compare com o que um paciente deixa ao longo do acompanhamento. Compare as plataformas com a mesma régua antes de assinar.
Posso divulgar o valor da consulta nas redes sociais?
Depende do conselho. O CFM permite informar o valor da consulta, mas os códigos do psicólogo, do nutricionista e do fonoaudiólogo vedam usar o preço como propaganda. Em todos, o valor é combinado com o paciente antes do atendimento.
Como saber qual divulgação está funcionando?
Pergunte a cada paciente novo como chegou até você e anote num lugar só, todo mês: Google, cada plataforma, indicação, redes sociais. Com dois ou três meses de anotação, fica claro o que traz pacientes e o que só custa tempo ou dinheiro.
Fontes
- [1]Google: adicionar ou reivindicar o Perfil da Empresa
- [2]Google: dicas para melhorar sua classificação local
- [3]Google Maps: política de conteúdo de usuários (avaliações e incentivos)
- [4]CFP: Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP 10/2005)
- [5]CFM: Resolução CFM 2.336/2023, publicidade e propaganda médicas
- [6]CFM: Código de Ética Médica (Resolução CFM 2.217/2018)
- [7]COFFITO: Código de Ética e Deontologia da Fisioterapia (Resolução COFFITO 424/2013)
- [8]CFN: Código de Ética e de Conduta do Nutricionista (Resolução CFN 599/2018)
- [9]CFFa: Código de Ética da Fonoaudiologia (Resolução CFFa 640/2021)
- [10]Lei 13.709/2018 (Lei Geral de Proteção de Dados), no Planalto
Conteúdo informativo, não substitui a orientação do seu contador.
Quem escreveu

Escrito por
Hugo Vasconcelos · Sócio da TivitaSócio da Tivita, especialista em gestão de consultórios.
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