Manual de psicologia · Capítulo 4

Quanto ganha um psicólogo com consultório próprio: a conta

Não é uma média: é a conta das sessões realizadas, do valor, dos custos e dos impostos, com as regras do Código de Ética que mexem nela.

Por Hugo Vasconcelos

Atualizado em 1 de outubro de 2026 · 3 min de leitura

Fontes conferidas em 01/10/2026 · Como o manual é escrito

Uma média salarial diz pouco a quem atende por conta própria: ela mistura emprego, consultório, carga horária e cidades diferentes. A pergunta útil é outra: com a minha agenda e o meu preço, quanto sobra no fim do mês?

A conta em quatro linhas

  1. Sessões realizadas no mês. Não as que estão na agenda, e sim as que aconteceram e foram pagas. Faltas sem cobrança, feriados e férias saem daqui.
  2. Faturamento = sessões realizadas × valor da sessão.
  3. Custos do consultório: sala ou sublocação, sistema, contador, telefone, supervisão, materiais.
  4. O que sobra = faturamento − custos − imposto de renda − ISS − INSS.

Exemplo, com números redondos só para mostrar a conta, e que não são média nem referência: 20 sessões marcadas por semana, 4 semanas no mês e 10% de faltas sem cobrança dão 72 sessões realizadas. A R$ 100 a sessão, o faturamento é R$ 7.200. Com R$ 1.500 de custos, sobram R$ 5.700 antes do imposto de renda, do ISS e do INSS, que dependem de você atender pelo CPF ou por empresa.

Para tirar o imposto dessa conta, use a calculadora do carnê-leão se você atende pelo CPF, ou a de CPF ou CNPJ para comparar os dois caminhos. O capítulo de impostos mostra o que é próprio da psicologia.

As três alavancas

Só três coisas mudam o resultado: quantas sessões acontecem, quanto custa cada uma e quanto custa manter o consultório.

  • Sessões que acontecem. A falta sem aviso é a perda mais silenciosa. Uma regra de faltas combinada por escrito no início, e lembretes antes da sessão, protegem a agenda. O artigo sobre faltas de pacientes traz o cálculo do quanto elas custam.
  • Valor da sessão. O capítulo sobre quanto cobrar faz a conta do preço e mostra onde entra a tabela de referência do CFP.
  • Custos. Sublocar por turno, em vez de alugar uma sala inteira, muda a linha 3. O ponto de equilíbrio diz quantas sessões pagam os custos fixos.

O que o Código de Ética diz sobre a remuneração

Algumas regras do Código de Ética Profissional do Psicólogo mexem diretamente na conta, e vale conhecê-las antes de desenhar a agenda [1]:

  • O valor é combinado antes. Ao fixar a remuneração, a psicóloga estipula o valor de acordo com as características da atividade e o comunica a quem é atendido antes do início do trabalho (art. 4º, b).
  • Justa retribuição, e qualidade que não depende do preço. A remuneração considera a justa retribuição e as condições de quem é atendido, e a qualidade do serviço é a mesma independentemente do valor acordado (art. 4º, a e c).
  • Nada além dos honorários. É vedado receber comissões, empréstimos, doações ou vantagens de qualquer espécie além dos honorários contratados (art. 2º, o).
  • Nada por encaminhamento. É vedado receber ou pagar remuneração ou porcentagem por encaminhamento de serviços (art. 2º, p). Se um serviço propõe cobrar por paciente encaminhado, leia essa regra e consulte o seu CRP antes de aceitar.
  • Nada de prolongar. É vedado prolongar a prestação de serviços sem necessidade (art. 2º, n). A agenda cheia vem de pacientes novos e de faltas a menos, nunca de atendimentos esticados.

Acompanhe a conta todo mês

A conta só ajuda se for refeita com os números reais. Registre as sessões realizadas, as faltas e os custos do mês, e compare com o mês anterior. O fluxo de caixa do consultório mostra como organizar isso.

Fontes

  1. [1]CFP: Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP 10/2005)

Conteúdo informativo, não substitui a orientação do seu contador. Para as regras da profissão, a última palavra é a do seu conselho regional.

Escrito por

Hugo Vasconcelos · Sócio da Tivita

Sócio da Tivita, especialista em gestão de consultórios.

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