Manual de psicologia · Capítulo 16
Inteligência artificial na psicologia: o que o CFP orienta
IA como apoio, com sigilo e consentimento: transcrever sessão, o paciente que usa chatbot, testes e laudos, pelo guia do CFP de 2025.
Por Claudio Franco
Atualizado em 1 de outubro de 2026 · 3 min de leitura
Fontes conferidas em 01/10/2026 · Como o manual é escrito
O que o guia diz sobre dado de paciente, relatório e laudo, e tarefas administrativas está resumido no artigo Prompts para psicólogas, com cinco pedidos comentados. A visão de todos os conselhos está em IA no consultório, e a LGPD aplicada à IA, em IA no prontuário. Este capítulo fica com três situações que só a psicologia tem.
Transcrever a sessão com IA
O guia do CFP usa a transcrição como exemplo de risco: uma ferramenta que grava e transcreve sessões, guarda o áudio na nuvem sem contrato de confidencialidade, erra nomes e termos técnicos, e uma psicóloga que não avisou o paciente [1]. Para o guia, a falta de consentimento viola o direito à informação e à privacidade e pode configurar quebra de sigilo e infração ética [1].
A regra formal está na Resolução CFP 13/2022, da psicoterapia [3]:
- a gravação, em áudio ou vídeo, precisa de consentimento livre, prévio, informado e por escrito, e de uma justificativa pela finalidade ou pelo método de trabalho (art. 11);
- com criança, adolescente ou interdito, o consentimento é dos responsáveis, com a anuência de quem é atendido (art. 11, § 1º);
- a gravação não pode ser usada para fim diferente do combinado, e passa a compor o registro documental, guardado como tal (art. 11, §§ 2º e 3º).
Antes de ligar uma ferramenta dessas, o guia pede conhecer as condições de privacidade e de armazenamento da plataforma [1].
O paciente que conversa com um chatbot
Quando o paciente conta que usa uma IA como "terapeuta", o guia orienta acolher sem julgamento, explicar limites e riscos e convidar a pessoa a trazer o que a IA produziu para a discussão clínica [1]. Na lista de verificação do mesmo guia, a psicóloga ajuda o paciente a refletir sobre eficácia, privacidade e limites da ferramenta, e desaconselha as que são perigosas ou dão falsa sensação de tratamento [1].
Um chatbot pode servir de lembrete de exercícios entre as sessões, mas não substitui a sessão nem o manejo clínico; em crise, o caminho é o serviço de urgência e a rede de cuidado [1]. O posicionamento de 2025 registra a preocupação do CFP com chatbots que oferecem serviços terapêuticos automatizados sem mediação humana qualificada [2].
Testes, laudos e decisões
- Testes psicológicos. A aplicação com apoio de IA precisa da supervisão de quem conhece o caráter científico do instrumento e a política de sigilo dos dados, e a validade dos testes se confere no SATEPSI [1].
- Documentos. O manual do CFP de 2025 admite a IA para organizar, redigir e padronizar registros e documentos, nunca para a avaliação e a decisão clínica [4]. O capítulo sobre documentos psicológicos mostra o resto.
- Decisões. Para o CFP, a IA pode oferecer subsídios, mas não deve operar de forma autônoma em decisões que envolvem julgamento profissional [2].
Por onde começar
Comece pelo que não toca no paciente: divulgação, finanças e estudo. A biblioteca de prompts filtrada para psicologia traz pedidos prontos que já dizem o que deixar de fora. Sobre regulamentação, o guia diz que o CFP acompanha o Projeto de Lei 2.338/2023, sobre IA no Brasil, e que até aqui respondeu com notas de posicionamento, campanhas e documentos de orientação [1].
Fontes
- [1]CFP: Inteligência Artificial na Psicologia, guia para uma prática ética e responsável (2025)
- [2]CFP: posicionamento sobre inteligência artificial na prática psicológica (julho de 2025)
- [3]Resolução CFP 13/2022 (psicoterapia), no Diário Oficial da União
- [4]CFP: Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos (2025)
Conteúdo informativo, não substitui a orientação do seu contador. Para as regras da profissão, a última palavra é a do seu conselho regional.

Escrito por
Claudio Franco · CEO da TivitaCEO da Tivita, especialista em gestão e tecnologia, formado em Ciência da Computação.
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