Manual de fonoaudiologia · Capítulo 13
Como conseguir pacientes na fonoaudiologia dentro das regras do CFFa
Encaminhamento entre profissionais, perfil, palestras, convênio e atendimento online: os caminhos da fono e o que o código veda, da comissão à triagem grátis.
Por Hugo Vasconcelos
Atualizado em 1 de outubro de 2026 · 5 min de leitura
Fontes conferidas em 01/10/2026 · Como o manual é escrito
As frentes que funcionam para qualquer profissão estão no artigo como conseguir pacientes, e a conta das plataformas de agendamento, no artigo Doctoralia vale a pena?. Este capítulo fica com o que é da fonoaudiologia.
A rede de quem atende o mesmo paciente
A indicação de outros profissionais que atendem o mesmo paciente é um dos caminhos, e o código dá a base para essa rede funcionar [1]:
- Encaminhar quando é preciso, e incentivar a prática interdisciplinar e transdisciplinar (arts. 10, XII, e 6º, XIV).
- Discutir o caso de um cliente em comum com outros profissionais (art. 15, III), sempre com o sigilo do código.
- Justificar quando você pede avaliação de outro profissional (art. 10, IV).
- Devolver o paciente ao fonoaudiólogo que o enviou para um procedimento específico ou para uma substituição, salvo pedido escrito do cliente (art. 14, V).
O que mantém a rede é a resposta: o relatório que você manda a quem encaminhou, com a anuência do paciente, mostra o que foi feito. O capítulo sobre laudo e relatório diz o que ele leva.
O que a rede não pode ter é dinheiro por indicação. Receber ou oferecer gratificação por encaminhamento de cliente, ou vantagem por cliente encaminhado ou recebido, é infração (art. 28, III e IX), como receber comissão por serviço que você não prestou (art. 7º, V) [1].
Palestras, escolas e conteúdo
Dar entrevistas e palestras sobre assuntos fonoaudiológicos e criar canais de comunicação com a população são direitos do código (art. 38) [1], e o guia do CFFa põe o conteúdo educativo, os artigos e os eventos entre os conteúdos permitidos [2]. Uma conversa numa escola sobre o desenvolvimento da linguagem, ou um post sobre quando procurar uma fono, leva o seu nome a quem decide procurar ajuda.
Dois limites seguram o conteúdo. Diagnosticar ou prescrever tratamento por meio de comunicação de massa é infração (art. 37, II) [1], e o guia orienta levar para o privado a conversa em que o cliente pode ser identificado [2]. O preço fica fora do post, mas pode aparecer na divulgação de cursos, palestras e seminários (art. 37, I) [1].
E a triagem grátis?
Oferecer ou prestar serviço fonoaudiológico gratuito é infração, exceto nos casos previstos na legislação e no próprio código (art. 28, I), e participar de graça de projetos que visam lucro também (art. 28, II) [1]. Do outro lado, o código garante colaborar em campanhas pelo bem-estar da coletividade e exercer o voluntariado de acordo com a lei (art. 5º, XI e XII) [1]. Uma triagem gratuita anunciada para encher a agenda fica perto da primeira regra; uma ação numa campanha de saúde fica perto da segunda. Se a sua ideia está no meio, o código garante o direito de consultar o seu CRFa antes (art. 5º, VIII) [1].
Perfil e plataformas
O perfil traz o seu nome civil ou social, a profissão e o número do CRFa (art. 36, I) [1], e pode trazer as especialidades habilitadas, os convênios, o horário e os métodos (art. 35) [1]. O campo de preço de algumas plataformas esbarra no art. 37, I. O capítulo sobre publicidade tem a lista do que entra e do que não entra.
O convênio como porta
Para quem atende por plano de saúde, a ANS dá à operadora até 10 dias úteis para garantir a consulta ou sessão com fonoaudiólogo, e, se a rede credenciada não tem profissional disponível nesse prazo, a operadora indica um, mesmo fora da rede, e custeia o atendimento [3]. Credenciar-se põe o seu nome na lista que a operadora oferece ao paciente. O capítulo sobre convênio faz a conta de quando isso compensa.
Atendimento online
A telefonoaudiologia é permitida em todo o território nacional (art. 15 da Resolução CFFa 580/2020) [4], e isso estende a sua área a famílias de outras cidades. Ela tem regras próprias, como avaliar antes de tratar e colher o termo de consentimento, que estão no capítulo sobre telefonoaudiologia.
Manter quem já chegou
Paciente que fica também é paciente conseguido. O código pede que você explique, em linguagem simples, o diagnóstico, os objetivos e o custo (art. 10, V), e os prejuízos de uma possível interrupção do tratamento (art. 10, VII) [1]. Com crianças, a família é quem segura a agenda: o artigo sobre faltas de pacientes ajuda com os combinados, e o app Exercícios de Fono para Casa mantém a família envolvida entre as sessões.
Fontes
- [1]CFFa: Código de Ética da Fonoaudiologia (Resolução CFFa 640/2021)
- [2]CFFa: Guia de Conduta nas Mídias Sociais para Profissionais (Resolução CFFa 756/2024)
- [3]ANS: prazos máximos para realização de consultas, exames, terapias e internações
- [4]CFFa: Resolução CFFa 580/2020, telefonoaudiologia (alterada pela 615/2021)
Conteúdo informativo, não substitui a orientação do seu contador. Para as regras da profissão, a última palavra é a do seu conselho regional.

Escrito por
Hugo Vasconcelos · Sócio da TivitaSócio da Tivita, especialista em gestão de consultórios.
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